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Ética planetária e educação

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Afirmar que vivemos hoje num mundo que se tornou pequeno e de onde estão sendo removidas todas as fronteiras parece uma obviedade. A rapidez dos meios de transporte e sobretudo dos meios de comunicação social, nos fazem vivenciar instantaneamente os acontecimentos ocorridos nas terras mais longínquas como se estivessem ocorrendo do nosso lado, e como se estivéssemos participando ativamente deles. Com isto cresce a sensação de que caminhamos rapidamente para uma unidade nunca antes experimentada. Apesar desta obviedade apresentar alguma consistência, um olhar mais crítico vai logo observando que esta é uma leitura muito simplificada de uma realidade incrivelmente complexa. Um olhar mais crítico ainda iria detectar fortes traços ideológicos neste tipo de leitura simplificada: haveria um trabalho sistemático em curso para abafar graves conflitos encontrados nos mais diversos ângulos da realidade; aos que vivem destes conflitos não interessa trazê-los à tona; seria preferível cultivar a ilusão de uma espécie de nova Pax Romana.

As mesmas leituras podem ser feitas a propósito do adjetivo “planetária” associado à ética e à educação. Como ouvimos sempre de novo que vivemos num mundo globalizado, acabamos concluindo que vivemos sob coordenadas comuns, sobretudo em termos de valores. Mas, novamente, uma leitura cuidadosa, comandada pela dúvida metódica, nos levará a sermos bem mais precavidos. Pois, quando ultrapassamos o nível das generalidades, nos deparamos com bem poucos valores comuns. Isto sem nos esquecer de que, no contexto da invasão do Iraque, levada a efeito pelos Estados Unidos, muito se fala hoje de choque de civilizações. E convém ressaltar logo que este choque não se trava apenas entre grupos fanáticos do mundo muçulmano e grupos igualmente fanáticos do denominado mundo ocidental cristão. O fato é que mesmo numa União Européia, amostra clara de um grande avanço, subsistem muitas realidades conflitivas, retrato de concepções diferentes de vida. Assim, um mesmo planeta, que se tornou incrivelmente pequeno, tanto é símbolo de proximidade quanto de enormes distâncias, sob todos os aspectos.

Tendo-se este quadro de fundo não podemos pressupor que estejamos próximos e conseguir formular uma ética planetária e grandes diretrizes educacionais como símbolos de um mundo novo em rápida gestação. Este mundo novo, sob o signos da paz , do respeito, da cidadania não apenas é desejável: este mundo é possível. Para quem crê que Deus conduz os destinos da história humana, não há porque duvidar desta possibilidade. Mas também, para quem crê que o caminho pregado por Jesus Cristo é estreito, a vitória sempre passa por uma longa trajetória de trabalhos em todos os níveis, sobretudo ao nível educacional. Assim, conjugando a graça de Deus com o nosso trabalho, sobretudo trabalho conjunto, não temos porque duvidar.

Uma vez assegurado que nosso enfoque quer ser realista e por isto mesmo esperançoso, não podemos deixar de perceber que existem realmente novos e grandes desafios no horizonte. O que de realmente novo está em gestação e que interpela profundamente tanto a ética quanto a educação, localiza-se num outro nível, que é o dos laboratórios. De fato, através da leitura dos vários genomas e através da biotecnologia de ponta encontra-se em curso não apenas uma nova maneira de entender os seres vivos, mas também uma nova maneira de projetar e construir a vida. A possibilidade real de mergulhar na intimidade última dos seres vivos e até de montá-los e desmontá-los, nos faz perceber que, ao lado de uma abordagem clássica, precisamos também de uma abordagem ética e educacional que ajude a interpretar esta realidade realmente nova, e, sobretudo, que nos ajude a participar ativamente deste momento histórico ímpar. É por isto que julgamos imprescindível trabalhar com dois enfoques sucessivos e conjugados: um mais clássico e um que retrate mais claramente os desafios oriundos da biotecnologia.


I) ÉTICA, VALORES E EDUCAÇÃO NUMA ABORDAGEM CLÁSSICA

Como era de se esperar para um período de grandes mudanças quanto o nosso, a busca por novos caminhos na educação se tornou uma constante ( GRANATO, T.A,C, 2000). E nesta busca foram emergindo vários elementos que, progressivamente foram alargando os horizontes. Assim emergem os ângulos da interdisciplinaridade ( GOULART, I.B., 2001), o do meio ambiente ( PEDRINI, A, de G., 2001), até chegar à busca de uma educação mais abrangente, ou seja, “ sem, fronteiras” (SILVEIRA TELES, Ma.L.). Com isto está aberto o caminho para, mesmo numa abordagem clássica, se chegar à conclusão de que a busca por uma ética planetária é uma exigência inelutável. É claro que isto só será possível na medida em que se for à busca de valores que sejam universais. Assim, conjugando educação e ética, poderemos ir delineando ao menos alguns traços do que seria uma abordagem planetária. E é o que faremos obedecendo a um mesmo esquema básico: buscar o sentido, o significado e abrangência de cada um dos elementos em questão, para depois aproximá-los de uma maneira dialética.

1. Da Ética como identidade pessoal, social e planetária

Todos sabemos que o sentido primeiro da palavra ethos remete para “casa”, moradia, identidade. Assim, num primeiro plano, o ethos se confunde com aquilo que há de mais cotidiano na vida das pessoas. Agir de acordo com seu ethos significa agir de acordo com sua identidade mais profunda, pois o ethos é como que o alicerce sobre o qual se estrutura o humano( AGOSTINI, 2003, 25s). Não nos encontramos porém diante de algo que é estático; antes o ethos deve ser entendido como sendo uma fonte borbulhante que reabastece o humano e a partir da qual os seres humanos buscam sempre de novo revigorar-se. O ethos é algo de tão profundo que radica além das normas morais e até mesmo da própria diversidade das religiões.

Dentro deste contexto é de se notar o cuidado com a qual os gregos, os primeiros a pensarem sistematicamente seu ethos, se referiam a ele. Quando pronunciavam esta palavra o faziam sempre com uma inusitada reverência: estavam como que oferecendo a chave capaz de abrir as portas para os grandes segredos do "humanum". O ethos era entendido como o último reduto do humano, onde humano e divino se encontram. Por isto mesmo, para os pensadores gregos, não eram os costumes vigentes que julgavam o ethos, mas o ethos que julgava os costumes vigentes. Por estas observações já fica evidenciado que o ethos traduz muito mais do que um conceito. Acena para algo de mais profundo e decisivo, lá onde os seres humanos podem encontrar-se em profundidade com "O SER", e por isso, consigo mesmos e com todos os demais seres.

Entretanto, os mesmos gregos, cônscios de que a identidade humana pessoal se concretiza na polis, ou seja, no plano sócio-político, não visavam em primeiro lugar a intimidade das pessoas, mas aquilo que constitui o tecido de um povo. Ethos traduz para eles as evidências primitivas e comuns, a experiência-sabedoria de um povo, resultantes de uma prática histórica, pela qual se desvelam os valores indispensáveis para sua sobrevivência como povo. O ethos é como que uma espécie de fonte inesgotável dos valores e que um povo vai descobrindo, adquirindo e burilando, num processo sempre inacabado de aprendizagem.

O que dissemos acima não vale, evidentemente, só para os gregos, nem só para os povos ditos "civilizados". Todo e qualquer povo vive uma experiência do ethos, preservando antigos e adquirindo novos valores. Ademais, na medida em que estivermos atentos à abrangência do ethos, que cobre todas as áreas do existir, poderemos perceber que o ethos não incide apenas sobre as relações das pessoas consigo mesmas. Ele incide também sobre o plano interpessoal, comunitário e social. A globalização, com toda a sua ambivalência, vai forçando uma espécie de confronto entre as várias culturas e as várias religiões, e com isto também entre as várias concepções éticas. Este confronto poderá ser negativo ou benéfico. Para ser benéfico deverá desembocar na busca de valores de caráter universal ( AAVV em busca de valores universais, Concilium, 292, 2001/4: o número todo é dedicado a esta questão). Por isto mesmo já há algum tempo se vem insistindo que um Projeto de Ética Mundial é uma questão de sobrevivência ( HANS KÜNG, 1992) .

O ethos incide ainda sobre as relações dos seres humanos com os demais seres. É assim que se compreende a crescente importância que as abordagens éticas vêm dando à ecologia. Não se trata de um modismo, ao menos não em todos os casos. Trata-se antes da tomada de consciência de que a “casa” dos seres humanos é o mundo, com sua multiplicidade de seres. Cabe à ética mostrar que o relacionamento harmonioso dos seres humanos com toda a criação é decisivo também para o relacionamento dos seres humanos entre si. Pois é através da dominação sobre as coisas que se estabelece a dominação sobre as pessoas. A lógica é a mesma. Quem não respeita a criação, não respeitará seus semelhantes. Aliás, para a ética na sua concepção originária, a rigor não existem criaturas dotadas de maior ou menor dignidade. Elas se interrelacionam de tal forma que uma não pode existir sem a outra.

2. Por que é tão difícil descobrir e transmitir valores

Quando falamos de valores, logo nos deparamos com uma série de dificuldades, pois estamos nos movendo num campo um tanto fluido. Queremos sinalizar ao menos três grandes dificuldades: a primeira refere-se à conceituação; a segunda à sua inevitável evolução; a terceira à sua transmissão.

No que se refere ao conceito, convém observar que a moderna filosofia dos valores adquiriu força diante da força do cientificismo e do positivismo. Estes afirmam ser real somente o que é cientificamente mensurável. A filosofia dos valores, por sua vez, ressalta que ao lado de fatos mensuráveis é preciso levar em consideração o que suscita estima, admiração, apreço. É assim que o tratado dos valores vai integrar os planos afetivo, estético, social, religioso, moral. Quando Hurssel e Scheler desenvolvem suas axiologias, vão perguntar-se pelo significado que as coisas têm “para mim”. É verdade que para nós hoje estas abordagens parecem apontar de imediato para o risco do subjetivismo, denunciado com força por Heidegger. Para ele o risco do subjetivismo só é superado na medida em que o ser humano se abre para o inefável, para a transcendência. Com isto a própria filosofia dos valores acena para uma necessária dimensão ontológica, na qual os seres se abrem para o Ser originário. Assim, o valor não estaria “em mim”, mas naquilo que desperta em mim a admiração, a estima, o respeito, o afeto.

Contudo, tratar dos valores não é difícil apenas por uma razão conceitual. É difícil também porque em meio à sociedades em evolução contínua, parece impossível encontrar algo de mais consistente e permanente. Globalização e pluralismo não são meras palavras: representam uma espécie de choque inevitável entre as escalas de valores das várias culturas e das várias religiões ( F. S.FIORENZA, Concilium 292 ( 2001/4), 79-96). É desta forma que somados estes fatores aos fenômenos da modernidade e da pós modernidade, entende-se melhor aquilo que A Touraine ( 2002) caracteriza como sendo a falta de um mapa de valores para guiar as pessoas. Com isto elas se tornam extremamente frágeis. É evidente que a perda do mapa de valores não se deu por acaso. Ela ocorre em meio a um mundo em rápida evolução sob todos os aspectos e sobretudo um mundo cansado do racionalismo que marcou a modernidade. Daí o contraponto constituído pela explosão da subjetividade, a busca compensatória do intimismo e de novas experiências religiosas. Daí também a dificuldade quase insuperável de para se transmitir valores.

É nesta altura que talvez convenha nos perguntarmos se o fato de queremos transmitir valores já não se constitui num ponto de partida viciado em sua raíz. Talvez seja aqui o lugar de recordar uma das máximas de Paulo Freire, de que ninguém ensina nada a ninguém, muito menos em termos de valores. A tarefa do educador não é nem a de criar valores, nem a de transmiti-los. A tarefa do educador é justamente a de ajudar as pessoas, ou eventualmente a sociedade, a descobrir os valores que se encontram implícitos nelas. Num primeiro momento isto poderá parecer uma espécie de sacralização da superficialidade reinante. Entretanto, quer partamos de um ponto de vista filosófico, quer teológico, sempre chegaremos à mesma conclusão: não existe nenhuma pessoa e nenhuma sociedade que não carregue consigo uma série de valores. Caso contrário, estas pessoas e estas sociedades ou já não existiriam ou estariam em vias de desagregação. A questão consiste em não querermos impor nossos valores como sendo universais, mas em nós, os educadores, termos a coragem de ir a fundo nos questionamentos que são levantados. O educador deve ser antes de tudo uma pessoa extremamente paciente. Não adiante ter pressa, para chegar a uma conclusão. O segredo do êxito parece estar na linha da maiêutica de Sócrates e de Jesus Cristo. Para responder adequadamente a uma pergunta, nada melhor do que outra pergunta. Não adianta contrapor nossa posição às dos outros. O bom educador fará sempre o papel do bom psicólogo, que abraça a não diretividade como norma máxima. É preciso ter a ousadia de deixar cada pessoa e cada sociedade buscarem sua identidade, e consequentemente seus valores. E isto vale mesmo para a catequese, para a chamada formação da consciência.

3. Educação: diretiva ou não diretiva?

Esta pergunta já encontra uma resposta implícita no ítem anterior. No entanto, como valores e educação não podem ser pura e simplesmente identificados, convém enfocar o ângulo específico da educação. Com razão, desde há muito se observa que a palavra "educação" remete para duas palavras latinas: "ex-ducere". A raíz "ex" significa sair para fora. Assim, por exemplo, "ex-spirar", "ex-sultar", "ex-clamar", nos revelam sempre este movimento, de dentro para fora. Daí a "educação" não consistir propriamente num processo de implantação de algo que ainda não existe, mas num processo de cultivo de algo que já está ali presente, embora em germe. As pessoas se educam no confronto com outras pessoas e com as várias realidades da vida. A rigor não deveria existir oposição entre "educador" e "educando"; a própria terminologia já é suspeita. O que deveria ocorrer seria exatamente um certo confronto, onde um se espelha no outro. Mas de qualquer modo, o que deve ficar evidenciado é o papel ativo do "educando". Ele ou ela deveriam ser considerados os agentes primeiros. O chamado "educador" não deveria ser mais do que uma espécie de espelho, que leva o "educando" a se olhar em profundidade.

"Ducere", por sua vez, nos lembra o processo de "conduzir". Por aí já se percebe que, por mais que se queira evitar qualquer tipo de imposição, não se pode deixar de reconhecer que o educador também deve exercer um papel ativo. Não no sentido de impor uma série de idéias e atitudes tidas como valores. Mas no sentido de pro-por, isto é, colocar frente ao educando aquilo que constitui a experiência de um povo, ou mesmo da humanidade. Se falamos experiência, já estamos sugerindo novamente uma de- composição de duas palavras conjugadas. Se "ex" traduz um movimento para fora, "peri", como nos lembra a expressão "perímetro urbano", traduz um rodear, dar voltas. É curioso como a língua alemã conservou a riqueza desta compreensão com o vocábulo "Er-fahrung". "Fahren" significa viajar. Assim, pessoa "experiente", significa pessoa que já deu muitas voltas pela vida. É dando muitas voltas pela vida que uma pessoa adquire experiência, ou seja, uma ciência, que é muito mais sabedoria, do que simples conhecimento.

Pelo que foi dito até aqui sobre e Educação, fica claro que a tarefa do educador não é dar voltas na vida pelo educando; nem pretender conduzí-lo pelos mesmos caminhos de sempre. O bom educador acompanha o educando, com um olhar carinhoso como o de uma mãe, mas como boa mãe deixa o filho fazer ensaios para andar. Ou seja, o pressuposto é que se tenha confiança na capacidade do educando. O que podemos é oferecer subsídios, ajudá-lo a organizar suas próprias experiências, levá-lo a um senso crítico em relação a elas. De alguma forma, o que deveria acontecer entre o educador e o educando, é que ambos fossem aprendizes, embora em estágios diferentes. O que deveria ocorrer é uma troca de saberes, onde ambos têm algo a aprender e ambos têm algo a ensinar.

4. Enfrentando algumas tentações

Até aqui tratamos de ética, valores e educação como se se tratasse de três realidades diferentes. É verdade que elas não se identificam, mas também é verdade que elas andam tão juntas que, crises no campo da Ética se refletem imediatamente no campo da educação, e crises no campo da educação se refletem em crises no campo da Ética. É que tanto uma quanto a outra buscam e veiculam valores; e quando estes ou já não se apresentam tão claramente, ou são substituídos por outros, ou desaparecem, a Ética e a Educação se sentem desarvoradas, pois estão perdendo suas âncoras. É nestes momentos que se apresentam ao menos três grandes tentações: a de buscar respostas prontas; a de julgar que só hoje sabemos das coisas; a de confundir ethos com normas.

É muito curioso, mas as formulações éticas de um povo não se dão quando tudo está solidamente estabelecido. Como no campo da educação, as tentativas de uma nova elaboração ocorrem nos momentos tensos de crises, quando se chocam três tendências básicas: uma de conservação, outra de superação, e outra de inovação. O empenho pelas formulações éticas também não ocorre nos períodos de grande vigor ético. Os períodos de grande vigor ético dispensam formulações mais precisas, já que o ethos alimenta quase que diretamente a vida concreta, sem contestação. Ao contrário, nos períodos de decadência é que se impõe a necessidade do nomos, ou seja, a multiplicação de leis. Constituições volumosas, em vez de traduzirem vigor ético, traduzem exatamente a falta deste vigor. Por mais paradoxal que possa parecer, a multiplicidade das leis testemunha a fraqueza das instituições e dos povos. É uma tentativa desesperada de acordar o senso ético debilitado. Recorrer a respostas prontas é uma primeira grande tentação a ser vencida.

A segunda grande tentação aponta para uma ilusão pretensiosa, mas ingênua: a de que só hoje sabemos das coisas. Claro que em tudo há uma evolução; como é claro que num primeiro momento pode parecer-nos que estamos diante de revoluções contínuas, que muito pouco têm a ver com o passado. Mas para evoluir em termos de compreensão ética e educacional, é preciso não perder de vista que tudo comporta uma referência a algo que permanece. O melhor exemplo de evolução, dentro de uma certa continuidade, encontra-se exatamente numa compreensão rica e atual de Educação: a educação do corpo e da mente. Com efeito, nestes últimos séculos, sob o influxo do racionalismo, acabamos por assumir uma compreensão quase que dicotômica de corpo e mente, de materialidade e espiritualidade. Conseqüentemente, acabamos por julgar que educar significaria apenas aprimorar a racionalidade. Entretanto, quando olhamos para os primórdios da filosofia da educação notamos logo uma concepção bem mais ampla. Se tomarmos como exemplo a filosofia grega, depois assumida pelos grandes pensadores cristãos dos primeiros séculos da nossa era, percebemos logo que o ser humano era concebido como parte de um todo: ele é um microcosmo dentro de um macrocosmo; ele é um espírito mergulhado na matéria. Assim, já a antiga paidéia, entendia a educação como a arte de viver integrado no seu meio ambiente, material, cultural, social, político e religioso. Assim, o que hoje expressamos como concepção holística de educação, não se constitui numa novidade total. Constitui-se antes numa feliz redescoberta de intuições já bem antigas. Isto não diminui em nada o valor das modernas abordagens, mais globais, mais holísticas de educação. Apenas nos faz perceber que não somos nem os primeiros pensadores, nem os primeiros educadores da história da humanidade.

No que se refere à terceira tentação, a de confundir ethos com norma, é preciso observar que esta identificação ignora as mediações. Se é certo que as normas traduzem algo do ethos, também é certo que não podem ser confundidas com ele. Com efeito, como vimos no início, o ethos é fonte. Já as normas são tentativas humanas de captar as águas sempre borbulhantes dessa fonte que se renova sem cessar. Sem dúvida as normas éticas se constituem num empenho por desvelar o ethos. Elas não são estabelecidas arbitrariamente. E se o forem já não serão normas éticas, e sim decretos nascidos da prepotência humana.

É verdade também que as normas que mereçam ser conjugadas com o adjetivo “ ética”, traduzem uma experiência de vida. Por isto mesmo essas normas devem ser assumidas com seriedade. Mas a própria seriedade nos obriga a ter presente que as mesmo as normas éticas remetem para um contexto determinado, para um sujeito determinado. Isto significa, concretamente, que elas remetem para uma série de condicionamentos, sejam eles estruturais sejam situacionais. E se estas normas forem, por exemplo, oriundas de livros sagrados, como a Bíblia, assim mesmo passarão sempre por um processo hermenêutico. Daí não se poder sustentar, sem mais, que as normas sejam objetivas. São mais, ou então menos objetivas na medida em que mais, ou então menos fielmente interpretam o ethos. E de qualquer forma elas sempre passam através do crivo de um sujeito social.

Conclusão da primeira parte As constatações feitas há pouco podem sugerir que não temos outra saída senão a de reconhecer que estamos ao léu, sem parâmetros definidos, ou então definidos subjetivamente. Infelizmente esta é a conclusão que muitos tiram na prática: cada um age de acordo com os seus primeiros impulsos. E contudo esta não deve nem precisa ser a conclusão. Basta que saibamos conjugar de maneira dialética o “ esse” e o “ fieri”, o “ natural” e o “adquirido”. Ou seja, o caminho de uma educação ética planetária não pode trabalhar apenas com as novas tônicas que vão se impondo pelo convívio mais ou menos próximo das várias culturas e das várias religiões. Não se trata de, em nome da globalização, fazer como se houvesse uma harmonia pré estabelecida. Trata-se, ao contrário, de ter a coragem de nos defrontarmos com uma realidade conflitiva, que reflete a complexidade dos mecanismos existenciais, pois somente uma ética que seja realista poderá alimentar a pretensão de ser aceita universalmente ( H. Küng, Uma Ética global para a política e a economia mundiais, Vozes, Petrópolis, 1999, 191s). E para os cristãos esta complexidade tem um nome: a sabedoria de um Deus que não criou um mundo previamente harmônico, mas em condições de ser harmonizado. Ética e educação que se queiram planetárias devem trabalhar na pressuposição das diferenças que podem se transformar em rica comunhão de concepções de vida, de culturas e mesmo de religiões, que em suas diferenças apontam para um mesmo Criador. Mas ética, e educação que se queiram planetárias deverão estar atentas a novas realidades que já não saíram das mãos de Deus, mas estão saindo das mãos de cientistas que, em laboratórios cada vez mais sofisticados, já se julgam com conhecimentos suficientes e técnicas adequadas para dar início a uma espécie de Segunda Criação.

II) ÉTICA, VALORES E EDUCAÇÃO NA ERA DA BIOTECNOLOGIA

Ao longo da história foram muitas as vezes em que a humanidade julgou estar vivendo um momento ímpar. Este foi, por exemplo, o sentimento diante das profundas e rápidas transformações a partir de meados do século XIX, quando teve início a denominada “ revolução industrial”. E de fato, ao longo deste século e meio, não apenas os modos de produção, mas também os modos de pensar e de viver foram profundamente alterados. Entretanto, sem querer diminuir sua importância, e sem pretender contrapô-la, parece difícil não perceber que a denominada “ revolução biotecnológica” está assumindo proporções ainda maiores do que aquela que a precedeu e preparou.
Mesmo sem nos prendermos ao sensacionalismo da mídia, não podemos deixar de perceber que a biotecnologia não é mais uma espécie de área de fronteira, pois ela mergulha profundamente no cotidiano. Como decorrência disto, ficar apenas na abordagem clássica da educação, por mais importante que esta abordagem seja, parece insuficiente. Novas interpelações vão se colocando no seio da sociedade e da família, sobre o presente e o futuro da humanidade. Para retratar esta nova realidade convém, antes de mais nada recolher dados e conquistas acumulados sobretudo nas últimas décadas, e mais particularmente após a instauração do Projeto Genoma Humano, Projeto que durou exatamente 10 anos, de 1990-2000. Mas não basta recolher e organizar os fatos: é preciso fazer uma verdadeira hermenêutica para medir melhor o alcance das transformações em curso. Finalmente, convém se perguntar se já não se impõe uma nova pedagogia, que ensine a viver numa realidade em fase de mudanças tão radicais, que se estruturam a partir dos segredos mais íntimos da vida em suas múltiplas formas.

Biotecnologia: a grande virada histórica





Com uma freqüência inusitada, são anunciados novos e sensacionais avanços no campo da biotecnologia. Com isto a palavra “ biotecnologia” virou uma senha mágica, que, por um lado abre perspectivas para uma espécie de época áurea, e por outro, carrega consigo ameaças de cunho verdadeiramente assustador. Entusiasmam as perspectivas de curas definitivas das terríveis doenças de cunho genético; assusta a ultrapassagem da fronteira das espécies através da manipulação genética, com a possibilidade da criação de verdadeiras quimeras, constituídas por um mix de genes humanos, de animais, e de outras espécies de seres vivos. O mais notável é que estes sentimentos contrastantes atingem todas as classes sociais e os mais diversos níveis de escolaridade.

É certo que a biotecnologia não é de hoje. Desde há muitos séculos a humanidade sabia aproveitar-se de certos processos vitais para obter certos resultados. É o que se percebe quando se pensa na produção de pão, queijo, açúcar, e outros produtos na base da fermentação. Também os cruzamentos de plantas e animais feitos de maneira seletiva, são outra amostra do que se poderia denominar de biotecnologia, mas numa forma muito incipiente. Os resultados podiam ser previstos, contudo, os processos eram demorados e a produção em pequena escala. Um avanço significativo se deu com a revolução industrial, e sobretudo com a “ revolução verde” dos anos de 1960.

Contudo, estávamos longe das características que hoje marcam a biotecnologia de ponta: ela é precisa, eficaz e rápida. Ademais ela já se impôs sobretudo em duas áreas: da agroindústria e da medicina, com reflexos sobre a economia no seu todo. No primeiro caso, a polêmica em torno dos transgênicos se constitui apenas num dos ângulos de uma realidade maior e mais profunda, que é a produção em maior escala e com elementos enriquecidos de muitos alimentos; no segundo caso, para além da aparelhagem sofisticada da medicina de ponta, através dos exames de DNA se consegue prever, prevenir e reparar uma série de doenças, atuando num nível mais profundo. Isto se concretiza sobretudo no caso das denominadas doenças de cunho genético, mais numerosas do que se pensa. Mas o que mais surpreende são os investimentos maciços feitos nesta área. Os centros biotecnológicos se multiplicam, inclusive no Brasil, e começam a criar novas matrizes econômicas: já não se trata de produzir a partir de recursos que caminham para o esgotamento, mas através de recursos renováveis, com interferência no nível genético. De fato, o que é característico da tecnociência atual é a aplicação imediata na prática das descobertas referentes aos segredos da vida. “ Assim, rapidamente, a tessitura fundamental da própria vida tornou-se suscetível a intervenções técnicas” (Luiz Alberto Oliveira, Biontes, bióides e borgues, in Adauto Novaes, O homem – máquina. A ciência manipula o corpo, Companhia das Letras, São Paulo, 2003, 168).

As notícias de cunho mais sensacionalista, porém, apontam para a transmissão da vida em laboratório, onde através de ultrapassagem da barreira das espécies são gerados não só produtos transgênicos, mas também seres transgênicos. Partenogênese, clonagem reprodutiva, e, sobretudo, clonagem terapêutica, aparecem com muita freqüência nos meios de comunicação, ora exaltando as o que seriam “ conquistas”, ora carregando as cores no sentido de estarmos de uma espécie de realidade apocalíptica.

Por mais que se queira fugir do sensacionalismo, é difícil não ver que estamos nos defrontando com tempos realmente novos. São tempos nos quais não apenas já se consegue ler o código genético de um sempre maior número de seres vivos, mas se consegue inclusive interferir de maneira decisiva na última intimidade destes seres. E a rapidez de sempre novas descobertas e sempre novos experiências levadas adiante em laboratórios cada vez mais sofisticados, nos faz perceber que o futuro da transformação radical do ser e do viver na terra já começou, exatamente através da engenharia genética. Se durante milênios os seres humanos achavam que tinham algum domínio sobre as coisas criadas, hoje eles têm certeza de que seu domínio tende a ser total e global; se um dia eles foram criados à imagem e semelhança de Deus, hoje eles se auto recriam à sua própria imagem e à sua própria semelhança, reprogramando tanto seu nascimento quanto a sua vida e a sua própria morte.

Acontece que, em meio ao sensacionalismo, com certa facilidade se fica imaginando que estas coisas poderão ocorrer mas só num futuro mais ou menos longínquo, ou ao menos que estão ocorrendo longe de nós. Na realidade estas transformações já estão ocorrendo e começam a invadir o nosso cotidiano, na medida em que não apenas consumimos com sempre maior freqüência produtos transgênicos, ou ao menos geneticamente enriquecidos, como também estamos convivendo com pessoas que são, literalmente falando, filhos e filhas de laboratório. Basta pensar nas milhares de pessoas já nascidas por inseminação artificial, tanto homóloga, quanto heteróloga. Isto sem esquecer os verdadeiros bebês de proveta, ou seja, concebidos na proveta, para depois serem eventualmente transportados ou não para o seio da mãe biológica, ou de uma mulher qualquer, ou para uma proveta qualquer. Se o convívio dos nascidos no calor do seio materno já é tão difícil, como provam os intermináveis conflitos e as intermináveis guerras, mal podemos imaginar como será o convívio com pessoas que não têm nem pai nem mãe determinados, e consequentemente também não têm nem avós, nem parentes. Com isso rompem-se os poucos laços familiares que poderiam eventualmente existir. Também é difícil imaginar como irá se estruturando a afetividade de pessoas que não apenas são portadoras de próteses, mas que vão tendo seus corpos moldados por processos de engenharia genética, ou mesmo pela reposição sistemática de órgãos para substituir os que começam a falhar: órgãos artificiais e até inteligência artificial (GUITTA , P.P.,1992; REBUSKE, R. , 1995).

Diante disto se torna indispensável proceder a uma verdadeira hermenêutica dos dados e dos fatos, para, em seguida se poder visualizar com maior clareza uma espécie de nova pedagogia para tempos totalmente novos.

Hermenêuticas possíveis





Como já sugerimos acima, o Projeto Genoma Humano se constitui em algo de simplemente garndioso. Através dele, em exatos 10 anos, a humanidade pôde armazenar mais conhecimentos sobre a natureza profunda de todos os seres vivos, do que em muitos séculos precedentes. E não só pôde armazenar conhecimentos, como pode começar a agir com maior ousadia e segurança sobre os mecanismos da transmissão da vida.
Mas, o que importa aqui no momento, não é exaltar as conquistas do Projeto Genoma Humano, mas interpretá-lo. De saída queremos deixar claro que vemos ao menos três leituras possíveis: uma pessimista, uma ingênua, outra que pode ser denominada de realista, e com a qual nos identificamos.

2.1. Leitura pessimista

Como ponto de partida, é preciso ressaltar que, por mais impressionante que tenha sido o Projeto Genoma Humano, ele não se explica por si só: ele foi precedido por ao menos dois outros megaprojetos: o projeto Manhattan e o projeto Apollo. O primeiro, como o nome já diz, foi desenvolvido na ilha de Manhattan, em Nova York, na década de 40. Através deste projeto, levado adiante no auge da grande guerra, os americanos não apenas desvendaram os mais íntimos segredos da energia atômica, mas produziram a bomba atômica, com o claro objetivo de aniquilar o Japão, e, de uma vez por todas, mostrar quem manda no mundo. Com o segundo projeto, o Apollo, os mesmos americanos venceram a corrida espacial em meio ao clima de guerra fria. Os Sputiniks dos russos, mesmo as naves tripuladas por uma cadela, e depois por um homem, Gagarin, só firmaram a determinação expressa em alto e bom som pelo então Presidente Kennedy: nós chegaremos primeiro à lua. E de fato, no dia 20 de julho de 1969, Amstrong, ao desembarcar na lua declarava: um pequeno passo de um homem, mas um grande passo da humanidade. A terceira corrida em busca da supremacia, é a da biogenética. Para entender melhor o significado disto, convém detalhar um pouco melhor o como se concretizou o Projeto Genoma Humano.

Já desde os primeiros anos da década de 1980, um grupo de cientistas franceses passou a trabalhar com afinco na execução do que consideravam um imperativo maior: conhecer melhor os segredos dos genes para, através da intervenção sobre eles, curar as doenças de cunho genético. Munidos deste ideal, estes mesmos cientistas se propunham a divulgar rapidamente os resultados, e sem reserva de patentes, para todos os laboratórios de biotecnologia que já começavam a surgir em várias partes do mundo. Foi nesta altura que, a exemplo do que ocorreu com a Segunda Grande Guerra Mundial, os americanos entraram em cena: para levantar a bandeira da vitória.

Efetivamente, ao menos três fatos são bem reveladores para quem prefere um tipo de leitura pessimista (C. LAFONTAINE, 2004). Primeiro: de imediato, os americamos exigiram a reserva de mercado não só sobre a criação científica, mas também sobre as descobertas científicas na área, como se genes pudessem ser considerados produto cientificamente criado. Segundo: Os resultados das pesquisas não deveriam ser partilhados, mas guardados como segredo de Estado por todos os que participavam do Projeto. Terceiro: curiosamente toda a linguagem da biogenética, reforçada ainda mais no decorrer do Projeto Genoma Humano, é a mesma da cibernética, e portanto com caráter militar: informação, mensagem, código, decodificar, criptar, decriptar... Conectando os três megaprojetos: o do domínio do átomo com a produção da bomba atômica; o do domínio do espaço, com naves tripuladas e robôts sempre mais inteligentes e autônomos, mas também com aparelhos capazes de localizar qualquer tipo de sinal que possa indicar intranquilidade em qualquer parte da terra; o domínio dos segredos da vida, através dos quais agricultura, indústria farmacológica e novas matrizes econômicas podem ser controladas por poucos grupos, é difícil de ver aqui apenas coincidências... As possíveis coincidências se tornam mais supreendentes ainda quando se percebe a precisão matemática de todos estes projetos: com metas não apenas rigorosamente estabelecidas, mas também rigorosamente executadas. E as possíveis coincidências se tornam mais indicativas ainda quando tanto se fala de armas químicas e biológicas de destruição em massa.

2.2. Leitura ingênua

Os mesmos fatos podem ser lidos de uma maneira ingênua, quando são exaltadas as conquistas feitas por cientistas abnegados que dedicam suas vidas em pesquisas de cunho estritamente terapêutico, visando curar as doenças em sua raíz última. Uma leitura ingênua não consegue fazer a conexão entre os três referidos megaprojetos, nem com a crescente produção de armas sempre mais sofisticadas, aparentemente destinadas a livrar certos países e regiões do mundo da ditadura de representantes do eixo do mal. Para quem faz este tipo de leitura, a tecnologia seria no mínimo neutra e os megaivestimentos não apresentariam outra razão de ser que não fosse o ideal de prestar sempre maiores benefícios à humanidade toda, mas sobretudo aos mais pobres e sofredores. É neste sentido que a biotecnologia, independemente de outras políticas econômicas, conseguiria erradicar a fome no mundo, uma vez que conseguiria produzir alimentos geneticamente modificiados, em imensas quantidades e a custos menores.

Como se percebe, este tipo de leitura não apresenta nenhuma sensibilidade para os aspectos ideológicos que possam se esconder por trás das magníficas conquistas, e muito menos mostra sensibilidade para outras dimensões do humano. Ela abraça uma visão reducionista, que limita a realização humana a corpos geneticamente perfeitos e vidas destinadas a uma espécie de perenidade na terra. Também não mostra a mínima sensibilidade para a importância decisiva das condições políticas, econômicas, ecológicas, ambientais, educacionais, religiosas, espirituais para o bem viver. Ou seja: este tipo de leitura se coloca na exata perspectiva denunciada por Marx como alienante, pois encobre as causas reais da infelicidade das multidões e projeta para o futuro a solução mágica de problemas reconhecimento complexos.

2.3. Leitura realista

Felizmente os mesmos fatos podem ser lidos de uma maneira dialética, igualmente distante da leitura ingênua e da leitura pessimista. Melhor dito: ela articula as duas, no sentido de alertar para os riscos, mas sem fechar as portas para a esperança de uma nova humanidade, inclusive com o subsídio da biotecnologia. A manutenção deste duplo polo, gerador de energias poderosas para enfrentar os grandes desafios humanos, pode ser encontrada nos já referidos dois campos onde estão ocorrendo as maiores transformações: no da agroindústria e no da medicina (MOSER, A., 2004, 105s).

De fato, é inegável que o conhecimento das sementes da vida e possibilidade de enriquecê-las com nutrientes especiais, sobretudo a possibilidade de produção em larga escala, com certeza representa uma esperança de dias melhores para praticamente a metade da população mundial. Entretanto, também é inegável que, a rigor, o problema da fome não aponta para a deficiência produtiva, mas exatamente para a deficiência distributiva dos bens destinados a todos. Ademais, uma leitura crítica vai levantar algumas questões incômodas. Uma primeira questão vai na linha da pressa de se jogar no mercado produtos ainda não suficientemente testados; uma segunda questão vai na linha da concentração de biotecnologia agrícola nas mãos de poucas empresas transnacionais, nomeadamente a Monsanto, a Syngenta e a Dupont; uma terceira questão vai na linha dos pacotes biotecnológicos pressupostos no fato de as sementes dos transgênicos serem esterelizadas de tal forma que devam ser recompradas a cada ano, e acompanhadas dos insumos e defensivos fornecidos pelas mesmas transnacionais. Tudo isto explica o porque a economia está investindo maciçamente na biotecnologia.

No que se refere ao campo da Medicina, são evidentes os ganhos tanto em termos de diagnósticos quanto de terapias. É verdade que a medicina convencional através de radiografias computadorizadas, ultrasonografias, ecografias e ressonâncias magnéticas, já vinha há algum tempo obtendo bons resultados. Contudo, por mais sofisticados que estes processos possam parecer, não podem ser equiparados aos exames de DNA. Se através dos exames convencionais se obtém, com nitidez, uma radiografia de tecidos e órgãos, através dos exames de DNA se obtém uma transparência total daquilo que constitui estes tecidos e órgãos, ou seja, os genes. Com isto, de uma medicina curativa, se passa definitivamente para uma medicina preditiva e preventiva. Com diagnósticos seguros antes mesmo que as doenças se manifestem se pode agir por antecipação. Se, na medicina convencional se pode contar com inúmeros medicamentos, é preciso dizer que estes são ainda muito genéricos. Enquanto isto, a partir da medicina clonar os medicamentos passam a ser produzidos sob encomenda e agem com precisão sobre o núcleo afetado.

Claro que tudo isto configura ganhos fantásticos, ao menos para quem tem acesso aos procedimentos oriundos da biotecnologia de ponta. Contudo, aqui igualmente se apresenta uma contrapartida: é o fim da privacidade. Quem toma em suas mãos a “carteira” genética de uma pessoa, está lendo não apenas o seu presente, mas também o seu passado e o seu futuro por antecipação. Tudo isto vai acarretar grandes interrogações quando se pensa no mercado de trabalho e nos vários tipos de seguros. Uma leitura realista não destrói as esperanças de uma humanidade mais saudável, mas também não permite a ilusão de uma humanidade perfeita simplesmente a partir do laboratório. Só que estas esperanças não podem ser alimentadas por uma espécie de magia de que “ nada de ruim vai acontecer”. A esperança deve ser animada por uma ação ética conjugada sob todos os aspectos.

3. Em busca de uma pedagogia para tempos novos

Os sinais claros e a percepção de que estaríamos às portas de uma grande virada histórica já remontam há mais de três décadas. Foi interpretando estes sinais e prevendo o que estava para acontecer que, em 1970, o Norte Americano V.R. Potter publicou o que se considera o primeiro livro de Bioética, com o título “ Bioética: uma ponte para o Futuro”. Já então transparecia clara a vocação da Bioética de, em diálogo com as ciências aplicadas aos laboratórios, zelar pelo humanum da humanidade. Também foi neste mesmo sentido que na mesma época foi criado o Instituto Kennedy de Bioética. A partir daí foram sendo delineados os grandes princípios da Bioética: justiça, autonomia, não maleficência e beneficência. E a Bioética foi se transformando no mais recente e mais simpático rosto da Ética. Com uma velocidade surpreendente vão se multiplicando as publicações em todos os níveis. Comitês de Bioética vão se multiplicando. Ademais, encontra-se em tramitação no Congresso um projeto de lei de Biosegurança. Tudo isso nos assegura que uma nova consciência vai emergindo, no sentido de que não se podem deixar o presente e o futuro da humanidade depender de umas poucas cabeças pretensamente iluminadas, e muito menos de grupos econômicos mais interessados em lucros do que no avanço em termos de humanização.

Por outro lado, os quatro grandes princípios enunciados, desde que devidamente situados, continuam sendo válidos para traçar um grande horizonte. Contudo, eles se apresentam hoje como pouco operacionais. Daí a importância de pensar uma perspectiva ética que, pedagogicamente, ajude na passagem para uma nova humanidade. Neste sentido talvez convenha resgatar uma certa escala de valores que poderiam parecer obsoletos aos olhos da modernidade e para a pós modernidade, mas que adquirem um novo significado na pós-humanidade, quando a própria vida está sendo tão profundamente modificada. Poderíamos lembrar aqui inúmeros destes valores, seja a nível pessoal, seja a nível comunitário, seja a nível social: desenvolver o espírito de responsabilidade para com o presente e para com o futuro; aprender a conviver com o diferente; não sonhar com soluções fáceis para problemas difíceis; não ter medo do novo, mas não esquecer os ensinamentos do passado; lutar para se estabelecerem limites; lutar para que sejam democratizados os eventuais benefícios, e assim por diante ( MOSER, A, 2004, 347-428). Aqui nos contentaremos com apenas três, que nos parecem mais fundamentais e que, de alguma forma, evocam muitos outros: o cultivo da identidade na alteridade; a redescoberta do senso do mistério; o desenvolvimento do senso crítico.

3.1. Cultivar a identidade na alteridade

Hoje mais do que nunca, um acontecimento particular, mas significativo, tende a repercutir sobre o plano global. Por isto, de alguma forma se pode dizer que tudo deve ser pensado em termos macro. Contudo, por mais verdadeiro que isto seja, e justamente por isto, se percebe com maior clareza a importância de a ética trabalhar as pessoas, para que elas não se percam na massa e não cedam à ditadura do pensamento único. É assim que, num mundo que tende à massificação, cultivar a identidade pessoal e própria se apresenta como um primeiro grande desafio.

Com razão, em meio à todas as experiências de laboratório uma tem causado maior temor e espanto: é a da clonagem. É verdade que por ora estas experiências, ao que tudo indica, só vêm sendo feitas com plantas e animais. Também é verdade que serão bem poucos os que irão apoiar uma clonagem humana reprodutiva. Até pelo contrário, com a mesma força que se afirma a necessidade de partir para a clonagem terapêutica, para suprir a sempre maior demanda de órgãos para transplantes, se rejeita a reprodutiva. Mas o próprio horizonte da clonagem, reprodutiva ou denominada terapêutica, coloca grandes interrogações que se projetam para além do plano casuístico: toda clonagem remete sempre para a idéia de intervenção radical, através de “ cópias”; ou seja, ao se falar de clonagem se está, ao menos implicitamente pensando em padronização e produção em série. Se antes já temíamos a padronização operada através dos tratores das culturas dominantes, que roubam a originalidade das consideradas mais fracas, agora temos a temer pela uniformização não só dos pensamentos e sentimentos, mas também dos corpos.

É por esta razão que se volta a falar novamente de “ homem máquina”, querendo sugerir ao menos duas coisas: a primeira que caminhamos a passos largos para uma espécie de robotização de todos os seres; a segunda, que a robotização vem conjugada com a padronização e o que ela significa em termos de mercado ( OLIVEIRA, L.A., 2003, 139-173, sobretudo 168). No horizonte da biotecnologia vigem os mesmos princípios da economia: quanto mais se padroniza mais se vende. E mesmo em se tratando de órgãos para suprir a necessidade de transplantes, não se pode perder de vista que as mesmas empresas que exploram a carne de animais poderão vir a explorar de modo semelhante órgãos humanos. O tráfico de órgãos já existente é uma pequena amostra daquilo que poderá acontecer. Claro que o que se tem a temer não é a tecnologia, nem a biotecnologia. O que se tem a temer é a ideologia que as comanda.

Diante disto, é impossível não perceber que a ideologia que comanda a tecnociência é frontalmente contrária à compreensão bíblica da vida. De fato, nesta última Deus não padroniza, mas revela toda sua sabedoria exatamente na criação da biodiversidade, ou seja, de seres que, apesar de semelhantes no quadro das espécies, mantêm uma irredutível originalidade. E é nesta linha que parece-nos colocar-se uma primeira virtude a ser desenvolvida para enfrentar os novos desafios: através da descoberta e do cultivo da alteridade as pessoas irem se construindo na originalidade única e irrepetível. Isto não apenas no plano das pessoas individualmente consideradas, mas também no plano das culturas, das religiões, e até da biodiversidade: a proximidade e o diálogo não podem significar a anulação daquilo que é próprio de cada um. A busca da comunhão só será verdadeira na medida em que forem mantidas as diferenças.

3.2. Cultivar o senso do mistério e a capacidade de admirar

Desde que os seres humanos passaram a ter um mais profundo conhecimento da realidade, e a consequentemente capacidade de interferir sobre ela, foi se ocorrendo um crescente processo de dessacralização. Dentro do contexto da modernidade e da pós - modernidade, à dessacralização veio juntar-se a secularização. A rigor, tanto uma quanto outra são conseqüências naturais da chegada dos seres humanos ao que Bonhöffer denominava de idade adulta. Entretanto, apesar de toda a capacidade tecnológica, antes do advento da biotecnologia de ponta, de alguma forma sempre sobrava um último reduto cercado de mistérios, que era exatamente aquele dos mecanismos mais secretos da vida. O Projeto Genoma Humano e seus desdobramentos, acabaram de rasgar esta última cortina que separava os seres humanos do santuário da vida. Hoje não apenas tecidos e órgãos são esquadrinhados por sofisticados aparelhos, mas a complexa rede de informações subjacentes à matéria, vai sendo totalmente desvendadas.

Com isto não apenas desaparecem os convites à poesia, intimamente ligada ao deslumbramento diante do belo e inefável, mas desaparece qualquer possibilidade de surpresas. Se antes os pais ainda esperavam ansiosamente pelo nascimento para ver se seriam pais de um filho ou de uma filha, hoje eles podem escolher alguns traços biológicos com os quais querem ver seus filhos revestidos. Pois de fato, a biotecnologia já começa a mergulhar profundamente no mundo das emoções ao ponto de se falar tanto de inteligência emocional, quanto de inteligência artificial (LÉVY, P., 1994; GOLEMAN, D.,1995; GUITTA , P.P., 1992; LEDOUX, J., 1998). É claro que nem a inteligência nem as emoções irão remeter simplesmente para os genes. Contudo, quando as intervenções genéticas são reforçadas por um tipo de educação em que as máquinas são mais do que instrumentos e passam a ser modelos de ação, uma vez mais soam os alarmes detectando grandes riscos.

Diante disto se percebe melhor a importância do cultivo de outra virtude que praticamente desapareceu do horizonte dos que se julgam modernos: a capacidade de admirar e de prostrar-se diante do mistério. Sendo assim, o desafio não consiste em reencantar apenas a educação (ASSMAN, H., 1998), mas em encontrar caminhos para que se possa redescobrir as maravilhas que se escondem por trás de todas as miríades de manifestações da vida. Para tanto não é preciso recuar no tempo: basta mergulhar profundamente nos dados da biogenética com uma maravilhosa complexidade que se revela não apenas nos mecanismos da transmissão da vida, mas no próprio viver. O processo de reencantamento não deve, portanto, ser trabalhado de fora para dentro, mas de dentro para fora. Neste sentido convém lembrar a frase do cientista Francis Collins, comandante do Projeto Genoma Humano, dia 26 de junho de 2000, em frente à Casa Branca, na cerimônia de encerramento do referido projeto: “É para mim motivo de humildade e admiração perceber que captamos o primeiro vislumbre de nosso livro de instruções, antes só conhecido por Deus”. E, na mesma ocasião, o então Presidente Clinton arrematava: “Hoje estamos aprendendo a linguagem em que Deus criou a vida. Estamos cada vez mais admirados diante da complexidade, beleza e maravilha do dom mais divino e sagrado de Deus” ( cf. K. DAVIES, 2001, 361).

3.3. Desenvolver o senso crítico: avaliando perdas e ganhos

O sensacionalismo com o qual costumam vir noticiadas descobertas que ocorrem no campo da biotecnologia, faz com que, freqüentemente, se caia ou num extremado otimismo, ou num extremado pessimismo. Acima já deixamos claro que nossa leitura quer ser realista, ou seja, capaz de avaliar perdas e ganhos. Acontece que esta análise é difícil, justamente pela massificação das informações. Daí termos que proceder com certa prudência, ressaltando as várias mediações pelas quais passa a formação do senso crítico. Claro que devemos destacar o âmbito familiar, os grupos de vivência, as instituições de ensino. Todas são importantes. Entretanto de pouco adianta levar em consideração o meio ambiente em sentido mais estrito, sem levar em consideração os mecanismos propriamente sociais. Pois é neste nível que o impacto sobre a consciência e a personalidade se faz mais decisivo. Daí a necessidade de um instrumental mais adequado para ler a realidade com uma certa dúvida metódica. Em se tratando da biotecnologia, parece-nos que “ manipulação” ser um suporte para que possamos nos situar melhor diante do que ocorre no silêncio dos laboratórios.

A rigor, esta categoria da manipulação não é de todo nova. Até pelo contrário, ela entrou em cena no contexto dos movimentos de conscientização, a partir dos anos de 1960. Tanto no campo pedagógico, quanto no campo político, foram desenvolvidos verdadeiros arsenais de conceitos e chaves de leitura para se poder fazer um levantamento adequado da realidade, uma avaliação à luz de valores fundamentais e partir para uma prática. Verdadeiros movimentos de conscientização faziam com que as massas, até há pouco alienadas, começassem a entender o que se passava e passassem a assumir atitudes mais adequadas para reverter uma situação ( AGOSTINI, N., 1990, 5-24). Acontece que, justamente por este tipo de consciência incomodar certos setores dominantes da sociedade, eles acabaram sendo abafados. Com isto também a categoria da manipulação acabou sendo relegada a um segundo plano. Contudo, justamente hoje, parece mais necessário do que nunca, que se trabalhe com esta categoria. É que ela ao mesmo tempo que pode revitalizar uma consciência adormecida em setores vitais como são os da educação, da religião e do campo político social, poderá também garantir uma maior vigilância num novo campo de manipulações, muito mais profundas, que são justamente aquelas efetuadas pela biotecnologia.

De fato, se manipulação se constitui num risco para todas as relações humanas, aqui no campo da engenharia genética ela se transforma em risco mortal, na medida em que um pequeno grupo decide pelo presente e pelo futuro da humanidade no silêncio dos laboratórios. Alterar os mecanismos vitais significa anular processos evolutivos que demoraram milhões de anos para chegar onde estão. E sobretudo, em se tratando de manipulações genéticas que atingem diretamente os seres humanos, o risco de criar verdadeiros “bioentes” não são apenas ameaças vagas. E de qualquer forma, o senso crítico, ao mesmo tempo que saberá acolher aquilo que irá beneficiar a todos, saberá detectar as investidas do biopoder enquanto poder de dominação.

Fazendo agora um paralelo entre as lutas políticas algumas décadas atrás e os desafios atuais, pode-se perceber que, ao contrário do que pode parecer à primeira vista, os desafios de hoje não são menores do que aqueles de ontem. Até pelo contrário: houve tempos nos quais se lutava pela conquista de territórios; houve outros tempos nos quais se lutava pela conquista do poder; hoje se luta pela conquista do biopoder: passa a dominar o mundo quem domina a tecnologia capaz de alterar os segredos da vida. Pois quem detém o biopoder não domina apenas a agroindústria, nem apenas a farmacologia, mas também a economia. Assim, pode-se discutir quais são as piores ditaduras, se aquelas normalmente mantidas por militares, ou a ditadura dos genes, alimentada por empresas de biotecnologia. Com certeza a realidade mudou; com ela também devem mudar os instrumentos de análise, e avaliação e de ação; contudo, com certeza também, muitos daqueles instrumentos são inspiradores para criar uma verdadeira consciência crítica, seja, para detectar, seja para combater eficazmente manipulações que ameaçam tanto a identidade mais profunda do humanum quanto da biodiversidade.

Conclusão: Tanto a Ética, quanto a Educação, sempre viveram uma tensão mais ou menos acentuada entre o “esse” e o “ fieri”, entre o que permanece e o que muda. Mas há períodos nos quais esta tensão se faz mais acentuada. É o que vem ocorrendo nos últimos decênios, quando tudo se torna a um só tempo “ global” e fragmentado. Como nunca, dependendo da leitura que se faz, a humanidade reza pela mesma cartilha; ou então, como nunca, se degladeia numa guerra sem fim. Estas tensões, normalmente atribuídas à modernidade e à pós-modernidade, ressaltam aquilo que sempre existiu: a necessidade de buscar valores comuns a todos e a necessidade de preservar sua própria identidade, seja como pessoa, seja como sociedade. Assim, justamente no contexto de um mundo que vive entre o desejo de comunhão e a realidade de conflitos sem fim, mais do que nunca é preciso manter os dois polos: o do realismo e o da utopia cristã; o da graça divina e do nosso árduo trabalho educacional.

Nestes últimos decênios, reforçando as dificuldades de apreender e transmitir valores, despontou uma realidade ímpar na história. Como víamos, pela primeira vez, os segredos mais profundos dos mecanismos da vida não apenas se tornaram conhecidos, como podem ser alterados mediante procedimentos de laboratório. Esta situação ímpar começa abalando toda uma concepção antropológica e toda uma concepção cósmica. De fato, por um lado todos os seres vivos remetem para um mesmo código genético onde as diferenças resultam de meras disposições das “ letras” básicas; por outro, estes seres ao mesmo tempo tão próximos, se revelam tão frágeis diante da prepotência humana que os manipula ao seu bel prazer.

É nesta altura que fica mais evidenciado que uma ética e uma educação planetárias significam empenho concreto em promover uma grande comunhão cósmica que envolva todos os seres vivos, e não apenas os humanos. Esta nova compreensão e esta nova realidade exigem que, através de um amplo diálogo com as ciências humanas, muitos pressupostos éticos e educacionais sejam repensados. Trata-se de uma tarefa gigantesca, mas ao mesmo tempo empolgante para quem acredita que, apesar de tudo, ainda é possível sonhar com uma casa comum que o mesmo Pai oferece a todos os seres.

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