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Família ou famílias: Mais interrogações do que respostas

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 Até há poucas décadas tudo parecia tranquilo em relação à posição da Igreja Católica quanto à família. Voltava-se sempre ao refrão: “A família é a base da sociedade”. Ademais, ou o casal cumpria todos os trâmites jurídicos e eclesiásticos, casando-se na Igreja, ou era tido como casal que, no mínimo, vivia em situação especial. Para certos setores da Igreja também não havia dúvida quanto à condição moral desses casais: viviam em pecado. 
Dois fatos alteraram esse quadro e levantaram mais interrogações do que respostas prontas. O primeiro deles remete para o último levantamento do IBGE no tocante ao quadro familiar brasileiro, que sinalizou a existência de quase vinte modalidades diferentes de viver como casal e como família. Em outros termos: não caberia nem mais o “singular”, mas impõe-se o plural: famílias, e para usar uma expressão do Papa Francisco: Quem somos nós para julgar a condição das pessoas diante de Deus? 
O segundo fato que balançou as convicções mais tranqüilas, mesmo no seio da Igreja Católica, remete para o posicionamento surpreendente do Papa Francisco também no que se refere ao matrimônio e à família. Para começar, enviou a todos que quisessem receber, um questionário abordando os mais diversos aspectos da vida afetiva e sexual, perguntando como essas realidades eram vivenciadas e recebidas no círculo de sua convivência. Também foi estruturado um “Instrumento de trabalho” em preparação ao Sínodo de Bispos que deverá ocorrer em outubro próximo em Roma. Há uma percepção geral de que esse sínodo será bem diferente de outros que o precederam, no sentido de a palavra estar aberta a quem quiser se pronunciar. 
Claro que os temas mais candentes remetem para homens e mulheres que não contraem vínculo oficial, nem civil nem religioso: divorciados, recasados, uniões homoafetivas, batismo de filhos que nascem fora do contexto considerado ideal, batismo de filhos de divorciados, de recasados, de casais homoafetivos... Enfim, tantas são as interrogações que certamente irão exigir não só muitas discussões, como sobretudo muita humildade para que ninguém queira emitir julgamentos morais categóricos, uma vez que a complexidade humana é tamanha que só a Deus cabe um juízo definitivo. Mas uma coisa é certa: a Igreja que, mais do que nunca, quer mostrar o rosto misericordioso de Deus diante de quem se sente fraco, nunca irá abençoar qualquer tipo de comportamento se esquecendo de que no horizonte humano sempre há um ideal evangélico.
 

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