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O gigante adormecido ou monstro de muitas faces?

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O mês de junho de 2013 passará para a história do Brasil como o período no qual o tão decantado gigante adormecido acordou. Milhares de pessoas passaram a se manifestar em grandes e pequenas cidades. Embora desde o início, pela falta de bandeiras claras, qualquer análise tenha se caracterizado como precária, agora, indo para o final do ano, as avaliações não sabem nem por onde começar nem por onde acabar. Pois já não são milhões de pessoas que se manifestam pacificamente pelas ruas, mas pequenos grupos que assustam até quem deveria garantir a segurança das pessoas e do patrimônio público. As forças de segurança, várias vezes acuadas, revelavam não apenas falta de estratégias definidas, mas também falta de comando, e por isso mesmo apresentam reações contrastantes.
O fato é que, neste final de 2013, embora as conclusões sejam as mais diversas e as mais desencontradas, todos parecem começar a perceber que o gigante adormecido está acordando como um monstro com muitas faces. Para uns, os black blocs são uma demonstração de nossa maturidade democrática, mesmo quebrando tudo, agredindo a todos. Para outros, por trás das máscaras se escondem verdadeiros terroristas, muito piores do que aqueles que agitaram várias nações, sobretudo nas décadas de 1960 e 1970. Para uns, os mascarados são grupos esquerdistas exacerbados; para outros, direitistas neofascistas que buscam despertar novas formas de ditadura. A incapacidade de se fazer uma leitura adequada do fenômeno é tamanha, que não poucos, mesmo autoridades, passam da aprovação para a desaprovação; dos elogios ao que seria manifestação democrática para a caracterização de “barbárie” ou “selvageria”. Enfim, diante de tantas possibilidades chegamos à conclusão de que não existe diagnóstico convincente, e, por isso mesmo, ninguém sabe bem como proceder. E isso, apesar de países como a França e o Canadá, entre outros, já haverem traçado nitidamente os direitos e deveres de quem deseja se manifestar.
Diante de um quadro tão indefinido não há por que se admirar que uns apelam para o uso da força legítima para reprimir esses grupos indefinidos, mas que sabem muito bem onde e como agir. O onde fica cada dia mais evidenciado: pontos vitais de São Paulo e do Rio de Janeiro. O como também já é previsível: começar “pacificamente” e, no final, quando tudo parecer terminado, dar início à quebradeira, preferencialmente de bancos , de lojas e de bens públicos. Os que apelam para as “forças de ordem” não hesitam em chamar até as forças armadas, tão malvistas e apedrejadas até há pouco tempo. Alguns, levados pelas melhores intenções, ingenuamente apregoam o diálogo, embora não consigam nem ver o rosto dos que se escondem por trás das máscaras, que, incompreensivelmente ninguém ousa arrancar, pois poderia parecer um gesto antidemocrático. Enfim, a cada dia que passa o quadro se torna ainda mais confuso e, por isso mesmo, cada vez mais fora de controle.
Mas apesar da precariedade das análises, e, portanto, também de qualquer tentativa de solução, certamente sobram algumas perguntas. Afinal, quem se esconde, não por trás das máscaras, mas por trás dos mascarados? Quem os arregimenta e de onde os faz sair e para onde os faz voltar? Nada teriam os black blocs a ver com o célebre PCC que, de dentro das prisões comanda ações espetaculares por meio de sofisticados meios de comunicação? Uma coisa é certa: atualmente o Brasil vive mais de perguntas do que de respostas.
 

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