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Privacidade: condição indispensável para a construção de uma nova humanidade

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“Serviço secreto” é uma expressão bem conhecida, sobretudo no contexto das muitas ditaduras do século passado. E a mudança do calendário ou do colorido em nada alterou o papel dos serviços secretos: descobrir eventuais inimigos, ou então eventuais deslizes de pessoas com as quais não se simpatiza. Não constitui segredo para ninguém que hoje todos os meios de comunicação são públicos e que em todos os recantos da terra se encontram inúmeras câmaras secretas que tudo registram. Big Brother já não é mais somente um programa de mau gosto, mas a expressão de uma triste realidade: todos andam sistematicamente despidos. Ainda mais quando usam a internet e todo tipo de mecanismos a ela conectados.
Que ditaduras tenham recorrido e continuem recorrendo a esses mecanismos não causa surpresa. O que não se poderia esperar é que esse tipo de serviço secreto fosse se desenvolver justamente em nações que mais se proclamam defensoras dos direitos humanos. Este é, evidentemente, o caso dos Estados Unidos. Que Bush tenha acionado os mais sofisticados mecanismos de “segurança” não causa surpresa a ninguém, pois, afinal, ele, há muito tempo, vinha buscando algum pretexto para “completar” a obra do seu pai, invadindo o Iraque, e encontrar pretextos para todo tipo de intervenções, sempre em nome da liberdade. O que não se poderia esperar é que Obama tivesse trilhando pelo mesmo caminho, embora de maneira mais discreta, inconfessada e sofisticada. Seria uma vez mais uma decorrência quase lógica da maldição que costuma acompanhar um segundo mandato?
Este quadro de referência já é suficiente para levantar a questão do direito à privacidade. É bem verdade que devem ser tomadas medidas de segurança, por exemplo, em viagens aéreas. Como também é verdade que, para preservar a liberdade de todos se requer algum tipo de vigilância e até mesmo uma força de ordem. Como também o direito à privacidade não pode ser confundido com o encobrimento de crismes. O problema se coloca exatamente na capacidade de colocar uma fronteira entre vigilância a serviço da liberdade e invasão de privacidade. Por trás dessa invasão naturalmente se esconde uma cultura de guerra e, por que não, um desvio grave de personalidade, que se denomina paranoia. O pior é que a paranoia de uma pessoa que ocupa um lugar de destaque tende a contaminar toda a sociedade. E é nesse ponto que entram em choque a concepção belicista e a compreensão cristã de vida. O espírito belicista carrega consigo todo tipo de armas, pois vê ameaças provindas de todas as partes; enquanto que o espírito evangélico parte de outro pressuposto: é preciso cultivar o amor não apenas aos que são ou parecem ser amigos, mas até aos inimigos. E lá no fundo, para o cristão, não existem inimigos; no máximo, pessoas que por não se sentirem amadas assumem comportamentos estranhos.
É nessa altura que se evidencia a raiz de uma contradição logicamente incompreensível: como podem pessoas que se proclamam profundamente democratas pensarem que irão ajudar a criar uma nova humanidade extirpando todos os eventuais inimigos? O cultivo desse tipo de pessoa e de sociedade é o da cultura da morte, e não da cultura da vida. As consequências são visíveis: atrás das aparentemente justificáveis medidas de segurança há um verdadeiro trem de maldades: Droms (aeronaves não tripuladas), que localizam e eliminam os que foram classificados como inimigos; ou então se mantém em prisões durante décadas pessoas contra as quais nada se comprovou, porque nem sequer foram julgadas, mas que pertencem a certo povo, a certa religião, ou a outra maneira de ver a realidade. A conclusão a que se deve chegar diante dos fatos aludidos e de tantos outros é a de que ainda temos um longo caminho pela frente para que os anjos possam voltar a cantar como na noite de Natal e o Cristo possa voltar saudando a todos, como costumava saudar seus apóstolos: A paz esteja convosco.
Construir uma cultura da vida é uma tarefa urgente e ingente. Mas isso só é possível quando a humanidade conseguir converter o Caim que parece morar em todos os corações, para que Abel possa viver em paz com suas ovelhas.
 

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