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Como se reconstrói uma igreja

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A conversão de São Francisco de Assis traz à tona vários elementos fundamentais para a vida das pessoas e também da Igreja. Podemos colocar como primeiro elemento a doença que o acometeu quando, empolgado pelas armas de guerra, julgou ter ouvido uma pergunta: “Queres servir ao servo ou ao Senhor?” E ele tira a conclusão lógica. Por isso resolve buscar um encontro com o Senhor Jesus, e isto se evidencia no abraço a um leproso. Um segundo elemento para sua conversão pessoal, e já um aceno para uma missão, é o diálogo com o crucifixo da igrejinha de São Damião. Uma capelinha em ruínas, já sem telhado, apenas com restos de parede, mas com uma cruz muito característica pendurada na parede da frente. É aquela conhecida cruz de um Cristo pregado ao madeiro, mas já com traços nítidos de glória. Tem algo de oriental, mas sobretudo da luz da Ressurreição. Um terceiro elemento pode ser encontrado numa saudação a todas as pessoas que encontrava: Paz e bem.
Apesar das mais do que justas interrogações sobre qual dos dois franciscos foi abraçado pelo recém-eleito papa que se autodenomina “Bispo de Roma”, a resposta veio logo: sem desprezar o espírito missionário que marcou São Francisco Xavier em seu empenho por evangelizar o Oriente, o escolhido Bispo de Roma se encarregou de tirar dúvidas: ele pensou mesmo em São Francisco de Assis.
Embora o Papa Francisco tenha acenado mais para o lado do desprendimento e da humildade de Francisco de Assis, é claro que se pode pressupor uma inspiração guardada no coração: Francisco de Assis é o que recebeu a ordem de “reconstruir” a Igreja. É evidente que as circunstâncias da renúncia do antecessor e o tato para não sugerir que a igreja esteja vivendo uma crise com múltiplas faces deixaram esta dimensão um tanto subjacente. Mas as atitudes que vão se multiplicando no dia a dia não deixam dúvidas: mesmo que a voz que Francisco de Assis ouviu possa ser atribuída a uma intuição, não há dúvida de que a voz que o Papa Francisco está ouvindo ultrapassa o nível das intuições e se projeta no nível da eloquência dos gestos.
As reflexões de cunho científico sobre as múltiplas formas de comunicação e linguagens, que vão muito além das palavras, dão um destaque especial aos gestos. Há algum tempo a “linguagem corporal” foi sendo sempre mais assimilada e com ela o valor dos gestos. Há gestos, mesmo muito simples, que falam mais alto do que qualquer palavra, ou dizem mais do que qualquer livro. Pois é nesta linha que o Papa Francisco vai revelando rapidamente a que veio. Dizer um boa noite, desejar um bom almoço, pedir a bênção ao povo, renunciar às vestes de púrpura e brocado, deixar de lado o trono, não ter pressa em tomar posse dos aposentos oficiais são apenas alguns dos muitos gestos carregados de significado muito profundo.
A superação de conhecidos problemas da Igreja e da sociedade certamente não se dará por grandes documentos nem por discursos inflamados. Ela vai acontecendo na medida em que o Papa Francisco deixa transparecer o que ele entendeu desde o começo: ninguém reconstrói uma igreja aos solavancos nem de um momento para o outro, mas colocando jeitosamente pedra sobre pedra, telha sobre telha. Se na figura deste papa o saber teológico não irá ser colocado em primeiro lugar, com certeza a sabedoria evangélica já está transparecendo em cada dia que passa. Diante de uma pessoa que não se considera mais do que um homem que recebeu uma missão especial, mas que, a exemplo de Francisco de Assis, não se julga um sábio deste mundo, os que porventura se julgam grandes começam a se sentir mal. Os que buscavam honrarias e uma carreira brilhante começam a se sentir deslocados, sem solavancos, mas apenas com pequenos gestos que incomodam.
Para remover alguém que não quer sair do lugar basta ir colocando pedrinhas nos seus sapatos. Esta parece ser a pedagogia do atual papa.
 

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