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A “Classe C” no caminho do paraíso?

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Já se tornou lugar comum a opinião de que não apenas nos encontramos numa época de mudanças como também numa mudança de época. E, de fato, as mudanças, sob todos os aspectos, são tão rápidas e profundas que superam até os efeitos mirabolantes do acelerador de partículas na busca da partícula de Deus. De alguma forma podemos dizer que de forma inesperada vai emergindo uma transformação geopolítica tão rápida e profunda que já é possível entrever o que até há pouco parecia impossível: as até então chamadas “nações ricas”, assentadas firmemente em seus tronos dourados, pedindo esmolas, enquanto que as ditas “nações pobres” agora se dão ao luxo de oferecer empréstimos até mesmo ao FMI. Enquanto os ricos de ontem têm seus rostos marcados por preocupações em relação a seu futuro, os pobres de ontem vibram cheios de alegria e esperanças. Não apenas vislumbram um futuro brilhante, como também já apalpam um presente promissor; não apenas sabem enfrentar seus desafios, como até mesmo dão lições para a superação da crise que abala os que se julgavam donos de todo saber e poder. E o Brasil já não se apresenta “como gigante deitado em berço esplêndido”, mas como gigante que, cheio de ufanismo, lidera os novos ricos.
É claro que o inesquecível filme produzido por Elio Petri em 1971, com o sugestivo nome A classe operária vai ao paraíso, permanece como advertência para que os sonhos de Lulu (personagem central do filme) não se transformem em grande desilusão. Na exata medida em que este tentava penetrar nas benesses da classe média passou a ser barrado pelos que ali já se encontravam e também expulso por seus companheiros de trabalho. Ou seja, não só a pretensão de que todos possam alcançar o nível de consumo atribuído aos mais bem-sucedidos é ilusória, como, ainda que isso fosse teoricamente possível, acarretaria mais desgraças do que bênçãos. É que os ricos e a classe média lutam desesperadamente por manter linda a sala de visitas, mas não conseguem arrumar as demais dependências. E ninguém vai ao paraíso sem arrumar a casa toda.
De fato, o sonho de um número cada vez maior de pessoas que vivem no até há pouco chamado Terceiro Mundo, de passar a produzir e a consumir como ocorria no então Primeiro Mundo, esconde uma armadilha fatal: a de os recursos naturais, já em vias de esgotamento, terminarem bem antes da tomada de consciência de que o paraíso não se encontra no consumismo, mas exatamente na mudança radical da economia. A grande tentação percebida sobretudo nas nações emergentes é a de ocuparem o lugar dos que construíram uma economia do desperdício. Com isso fica claro que as portas do paraíso não se encontram fechadas para ninguém, mas torna-se imperioso que as mudanças geopolíticas levem todos a buscarem o sentido verdadeiro da economia: administrar com sabedoria os parcos recursos da Terra, deixando de produzir armas e futilidades para produzir e distribuir para todos aquilo, e só aquilo, que é necessário para o bem-viver.
 

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