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Mensalão: Um escândalo benéfico

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Há sete anos a palavra “mensalão” provocou os efeitos de uma bomba poderosa que ameaçou seriamente o primeiro mandato do então Presidente Lula, lançando estilhaços para todos os lados. A denúncia, feita por um deputado federal que confessadamente participava do esquema da compra de votos parlamentares – acolhida pelo Ministério Público Federal –, não só atingiu diretamente colaboradores próximos ao presidente, como também um significativo número de parlamentares pertencentes à “base aliada”. Assim, o escândalo que apontava o Partido dos Trabalhadores como cérebro articulador do repasse de verbas públicas para implantar um regime de grande durabilidade, acabou revelando um mal ainda mais profundo e abrangente. As dimensões desse escândalo são tamanhas, que não só a imprensa, mas até o procurador-geral da República e o relator do processo no Supremo Tribunal não usaram de meias palavras: falam em tramas cuidadosamente articuladas e em verdadeira quadrilha.
Com isso não causa estranheza o fato de as sessões do julgamento, iniciadas no dia 2 de agosto deste ano de 2012, passarem para a história como sessões densas e tensas, que estabelecem um marco na história política do Brasil. Jamais houve um processo ao mesmo tempo tão temido e tão ansiosamente esperado. Temido pelos que prevaricaram, ansiosamente esperado pelos que sonham pela possibilidade de se abrir nova página na história política do Brasil. Se é verdade que desde os seus primórdios a corrupção se fez presente em nosso meio, também é verdade que nunca foi tão profunda e generalizada como hoje. Com isso já se percebe que entraram em julgamento não apenas os malfeitos dos que faziam parte da quadrilha, mas também uma verdadeira cultura de corrupção. Da mesma forma, partindo-se do fato de que a corrupção se faz presente em muitas histórias e ao longo do tempos, é possível constatar que o Brasil vinha ocupando posição nada honrosa na escala dos países mais corruptos.
Apesar da gravidade da situação e independentemente das sentenças proferidas pelos juízes, é preciso fazer uma leitura mais profunda dos fatos. Assim como a máquina da corrupção foi sendo aprimorada para se constituir “crime perfeito”, sem deixar rastros, o processo da condenação foi sendo elaborado como expressão de uma nova consciência. Ou seja, o que ocorreu no Supremo Tribunal foi apenas o ponto culminante de um processo do qual o povo, aparentemente passivo, participou ativamente. Em outros termos, enquanto se reunia extensa documentação dos crimes e elaborados os laudos, eram colhidas milhões de assinaturas exigindo o estabelecimento de uma nova e decisiva lei: a da “ficha limpa”; devidamente aceita e proclamada. Assim como a Itália conheceu, há vinte anos, o processo das “mãos limpas”, agora o Brasil passa a ser regido pela rejeição dos “fichas sujas” e pela exigência de que a pessoa que desejar concorrer a qualquer cargo público apresente sua “ficha limpa”. Com isso renascem as esperanças de uma nova etapa em nossa história.
Ademais, com esses fatos, nos quais escândalos vergonhosos e emergência de uma nova consciência travam uma batalha sem precedentes, a nova história que começa a ser escrita não diz respeito apenas aos políticos. À semelhança do que ocorria em relação à corrupção, busca-se uma maior sintonia entre ética e política, ética e vida cotidiana. Pois se a corrupção, em escala maior, acontece entre os que exercem funções mais destacadas, ela não deixa de atingir também aqueles que se encontram escondidos no anonimato das multidões. Da mesma forma, se os que ocupam cargos de destaque sentiram os abalos de um terremoto, os tremores e temores também passam a atingir toda a população. É por isso que mais do que nos alegrarmos com a vergonha passada pelos réus, devemos nos alegrar com os benefícios que certamente decorrem desses fatos. Assim como as mais belas flores podem nascer em fétidos pântanos, uma nova sociedade pode estar brotando. Há males que vêm para bem; e quando aqueles atingem níveis insuportáveis, estes não se apresentam apenas como uma, mas como a única alternativa. E a única maneira de todos viverem e conviverem é a do respeito por todos os bens que a todos pertencem e a todos foram confiados.
 

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