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Viajando com olhos bem abertos pela Europa em crise

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Dizer que a Europa está em crise é repetição do que parece óbvio. Afinal, todos os meios de comunicação social fazem questão de ressaltar o fato com cores fortes e que, na prática, sugerem tratar-se de um fenômeno que não poupa ninguém. Além disso, faz-se questão de acentuar o aspecto econômico para colocar em destaque os avanços significativos das denominadas nações emergentes.
Quando se observa a Grécia, a Espanha e Portugal não há muito o que discutir, pois os sinais de mal-estar são evidentes. Tais evidências, porém, não são tão intensas quando se trata das outras nações daquele continente, sobretudo do que se poderia denominar Europa Central. As afirmações se tornam um quase desmentido quando se viaja pela Alemanha e pela Bélgica.
Independentemente do fato de se aceitar ou não a existência de uma crise mais ou menos profunda e generalizada do que até então era denominado Primeiro Mundo, faz-se necessário fazer algumas observações nem sempre são evidenciadas.
Em primeiro lugar, ainda que a denominada “eurocrise” não possa ser negada de modo categórico, convém lembrar que “crise” não significa necessariamente derrocada. Por vezes, tanto na vida pessoal quanto social e política, uma crise pode até ser benéfica no sentido de despertar forças adormecidas.
Em seguida, faz-se necessário perguntar se o centro dessa famosa crise se restringe ao aspecto econômico-financeiro, ou se está relacionado a algo mais profundo, isto é, na linha de tensões que existiram antes e continuaram a existir depois da formalização da União Europeia. Um bom observador vai sinalizar que a precipitação com a qual as nações da Europa Central foram absorvendo outras nações que não tinham a mínima condição de acompanhar a marcha econômica e financeira tinha e continua tendo características culturais próprias e que jamais serão descartadas. Ou seja, é difícil não se perceber que por trás de uma série de indicadores que apontam mais para o aspecto econômico há razões muito sérias do ponto de vista cultural e religioso.
Dizendo de outra forma, ao mesmo tempo em que se proclamava a integração de mais uma nação como membro da União Europeia, não se dava muita atenção a fenômenos mais profundos, revelados por inúmeras guerras e atritos anteriores, que praticamente foram ignorados. E não só foram ignorados, mas de alguma forma foram acirrados por profunda e generalizada discriminação de ordem religiosa e cultural. A evidência desta assertiva é comprovada por discursos agressivos contra etnias, por medidas restritivas em termos de vestes e de outras características próprias dos que vieram de fora mas que há muito são os verdadeiros construtores de várias nações, fazendo os trabalhos mais pesados. Não são poucos os casos de cenas semelhantes àquelas conhecidas da era nazista, de verdadeiras deportações, com uma única diferença: os trens daqueles tempos foram substituídos por barcos e por aviões, para forçar cada um a voltar para “sua casa”.
Estas e muitas outras observações que qualquer turista mais atento pode fazer nestes tempos de certo desencanto, e até de tensões evidentes e profundas, fazem com que os discursos que eram feitos até há poucos anos apresentando a União Européia como uma espécie de sonho sempre cultivado mas só agora alcançado, desmoronassem. E mais do que isso: bastaram alguns solavancos para que novos muros invisíveis, mas nem por isso menos reais, fossem progressivamente erguidos.
Por tudo isso, há razões mais do que suficientes para olhar a União Europeia com preocupação. Entretanto, a maneira como muitas vezes esses fatos dolorosos são apresentados e ressaltados nos faz desconfiar de que também nesse contexto é preciso estar atento aos riscos de um certo euforismo que se espalha pelas nações emergentes. Até há pouco humilhadas, agora se julgam no direito de dar lições a quem as humilhou. Lições caracterizadas por gestos, como oferta de empréstimos financeiros, e por discursos inflamados de que agora “é nossa vez de ensinar o caminho das pedras”. Ora, tal atitude se faz tão perigosa quanto aquela vivida por certas nações europeias, de maneira mais ou menos acentuada. Todo tipo de triunfalismo, em todos os tempos da história, sempre se revelou como caminho para cair em outros abismos existentes um pouco mais à frente.
 

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