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Onde fica o Haiti? Não será aqui?

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Duas tragédias ganharam destaque nos meios de comunicação na primeira quinzena de janeiro: a da Região Serrana do Rio de Janeiro e a do Haiti. No primeiro caso, lembra-se o primeiro aniversário; no segundo, dois anos do terremoto devastador do Haiti. Em ambos a tônica é a mesma: o descaso das autoridades fez com que nada de mais substancial acontecesse; seja antes, seja depois das tragédias. O que deve ser ressaltado é a solidariedade das pessoas e instituições, fazendo o contraponto com aqueles que não cumprem suas promessas.
Obviamente, não se pode comparar o Haiti com o Brasil, sob nenhum aspecto. Nosso país, além de gigantesco, é cada vez mais uma potência emergente, que começa até a sugerir soluções para crises enfrentadas até pelas denominadas nações ricas. Subindo rapidamente no ranking do Produto Interno Bruto, ultrapassa até a orgulhosa Inglaterra.
Enquanto isso o coitado do Haiti, além de ser geograficamente pequeno, contando com uma população de 11 milhões de habitantes, apresenta-se como a nação mais pobre das Américas e uma das mais instáveis politicamente. Para muitos analistas é um país sem futuro, ao menos não a curto prazo.
Assim, baseando-se nesses evidentes contrastes, sob todos os pontos de vista, ninguém mais se admira que um crescente número de haitianos olhe para o Brasil como uma espécie de “terra da promessa”. Se forem analisados os preços pagos, pelos emigrantes clandestinos do Haiti, àqueles que os trazem para as fronteiras do Brasil, logo se chega a uma conclusão: os que vêm para cá não estão entre os mais pobres, mas sim entre os que dispõem de mais recursos financeiros e de melhor qualificação profissional.
Esta nova onda de imigrantes começa a levantar certas interrogações, mas tudo leva a crer que se está caminhando para uma boa solução, no sentido de não abrir simplesmente as portas para clandestinos, mas de se estabelecer um política decente, lembrando um pouco as imigrações dos séculos XIX e XX, oriundas sobretudo da Europa e do Oriente.
Tudo isso é louvável, como também é louvável o empenho do Brasil ao gastar cerca de 1 bilhão de reais num gesto de solidariedade, sobretudo em termos de segurança, mantendo no Haiti uma tropa qualificada. E, no entanto, esses louvores devem ser contrabalançados por algumas interrogações inquietantes.
Para começar, por coincidência ou não, se a população do Haiti é de 11 milhões de habitantes, os moradores de nossas favelas também somam a mesma quantia. Em seguida, embora seja lisonjeiro o crescimento do PIB, em termos de IDH ocupamos um vergonhoso 84º lugar, ficando entre os mais desequilibrados do mundo.
Com apenas estas duas observações já se justifica a pergunta feita acima: Onde fica o Haiti? E a segunda pergunta vem completar a primeira: Não será aqui? Se não for, ao menos o Brasil carrega um Haiti em seu bojo. Apesar do inegável avanço em quase todos os campos, torna-se igualmente inegável um fato: não temos muitas razões para nos gloriar e muito menos para nos exaltar diante do Haiti.
 

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