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A Rocinha é nossa?!

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Com razão a prisão de Nem e a tomada da Rocinha foram festejadas não apenas no Rio de Janeiro e no Brasil, mas no mundo inteiro. A estratégia e sua execução foram perfeitas sob todos os aspectos. Ademais, do ponto de vista simbólico esses fatos podem até relembrar a Tomada da Bastilha, no sentido de ser preanúncio de novos tempos. Os sentimentos de vitória foram coroados com o asteamento das bandeiras do Brasil e do Estado do Rio de Janeiro.
Com certeza, como ocorreu no ano passado no Complexo do Alemão, a noite de Natal será solenemente celebrada, seja em termos religiosos, seja em termos civis. Todos irão juntar suas vozes à dos anjos em Belém, cantando glória a Deus nas alturas e paz na terra a todos os que têm boa vontade. E não há por que não celebrar esses fatos, como também não há por que não exaltar seja o milimétrico planejamento, seja a execução perfeita: “sem nenhum tiro”.
Entretanto, todos os fatos se prestam a muitas leituras diferentes, ou ao menos requerem algumas ponderações que se colocam em nível diferente daquele das manchetes. Logo de saída coloca-se uma questão intrigante sobre a origem da Rocinha e das demais favelas. E de maneira mais insistente e pertinente se coloca a problemática da origem do domínio do tráfico de drogas e das milícias, que no fundo se conjugam. Não custa encontrar uma primeira resposta: tráfico e milícias se instalam onde a sociedade organizada e o Estado, de um modo especial, tornam-se ausentes. No fundo, os marginais fazem o papel do Lampião de antigamente: roubam de uns, mas distribuem benefícios a muitos outros.
No segundo momento emerge outra questão não menos incômoda. É aquela que diz respeito ao “depois”. É verdade que aqui e ali vão aparecendo algumas medidas mais vistosas, como o dos bondinhos. Entretanto, tal alívio que facilita o acesso de pessoas e mercadorias certamente não irá resolver os problemas estruturais: saúde, educação, habitação. Se não ocorrer logo esse segundo momento da implantação de uma nova realidade, com certeza não precisaremos esperar muito para nos depararmos novamente com situações parecidas. O que pode ocorrer é um simples deslocamento geográfico.
Como primeiro passo a “ocupação das favelas” deve ser comemorada, ainda que por si só as favelas se constituam uma espécie de amostra da negligência com a qual são tratados os problemas sociais. Além disso, tais ocupações deixam no ar uma outra interrogação: Por que não se acordou antes para a importância das favelas e sobre o que elas representam? Subrepticiamente vai se infiltrando a sugestão de uma resposta incômoda, pois, ao que tudo indica, os verdadeiros donos e até consumidores das drogas não moram nas favelas. Até pelo contrário, pelo que se sabe os favelados se veem coagidos não só por alguns marginais, mas também por outras quadrilhas que impedem a sociedade percebar uma realidade fundamental: favela não é local onde os pobres geram marginais, mas local onde pessoas se veem impedidas de cultivar seus anseios de viver humanamente e em paz com todos.
Se essa desconfiança tiver fundamento, então convém olhar atentamente para o ponto de exclamação que segue, no título, ao de interrogação. Só em termos a Rocinha é nossa, pois para que ela volte às sua origens, sugeridas pelo próprio nome, vai demorar um pouco mais e exigir muito mais. Só assim ela não só passará a fazer parte efetiva de nossa sociedade, mas também a produzir abundantes frutos.
 
 

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