Frontpage Slideshow (version 2.0.0) - Copyright © 2006-2008 by JoomlaWorks

Enquete

Já leu alguma publicação do Frei Antônio Moser
 
joomla template

Ser humano: Do biônico ao reconstituído

E-mail Imprimir PDF
Grandes tragédias como as ocorridas ultimamente no Japão e na região serrana do Rio de Janeiro, bem como grandes escândalos nos quadros políticos e administrativos, fizeram com que assuntos ligados à biogenética e biotecnologias passassem a ser vistos em segundo plano. Entretanto, como os laboratórios trabalham em silêncio, até preferem “dar um descanso” para depois encontrar maior receptividade em relação aos novos avanços.
Amainadas as polêmicas sobre pesquisas com células humanas embrionárias, foram sendo colocadas em evidência células adultas reprogramadas como caminho menos problemático do ponto de vista ético e mais seguro quanto aos resultados. Os escândalos relacionados às “pesquisas” do Dr. Roger Abdelmassih, que, com óvulos de mulheres mais jovens estaria não só “turbinando” óvulos de mulheres com mais idade, mas também mesclando genes humanos com genes de animais, colocaram uma espécie de manto de silêncio sobre as pesquisas genéticas.
Agora, em fins de julho de 2011, reportagem em revista de grande circulação (IstoÉ, 27/07) aponta para passos importantes na confecção de órgãos humanos em laboratório. Pele, rins, uretra, fígado, bexiga, traqueia, válvulas cardíacas... são alguns exemplos da passagem do mundo dos sonhos para o mundo real. Não obstante muitas dessas conquistas ainda estarem em fase experimental, já se encontram em fase adiantada. E mais: ainda que esse tipo de produção seja qualificado como fazendo parte de uma medicina regenerativa, na realidade não se busca apenas regenerar os órgãos das pessoas, mas também substituí-los, quando necessário. E assim como há algumas décadas as próteses nos colocaram diante de pessoas “biônicas”, agora órgãos produzidos em laboratório estão começando a abrir caminho para a “manutenção” quase sem limites para pessoas que poderiam ser denominadas “imortais”. A cada fracasso de um órgão, outro talvez mais perfeito do que o original tomaria seu lugar para que a vida pudesse ser indefinidamente prolongada.
Para entender melhor o significado das conquistas atuais talvez seja bom acenar para uma distinção fundamental: já não se trata de simples transplante de órgãos, mas de produção de novos órgãos. Desde que o médico sul-africano Christiaan Bernard obteve sucesso no primeiro transplante de coração, em 1967, ficou evidenciada a possibilidade de prolongamento de vidas até então tido como impossível. E na medida em que foram se multiplicando os transplantes de um sempre maior número de órgãos, tornou-se claro que já não nos encontrávamos diante de intervenções ocasionais, mas de procedimentos que passavam a ser quase que corriqueiros.
Mas, na exata medida em que os transplantes foram se multiplicando, também foi se tornando sempre mais evidente uma contradição: a sobrevida de uns dependia da morte de outros. A angustiosa expectativa dos que, durante meses e anos tinham que aguardar a morte de um portador de órgão saudável e compatível com o organismo do receptor, evidenciava que os transplantes já não poderiam ser considerados uma espécie de última fronteira da sobrevida. Nesse sentido é possível perceber a grande importância dos passos que agora começam a ser dados: o prolongamento de uma vida não depende mais da morte de alguém, mas da capacidade de produção dos laboratórios.
A pergunta que fica é se tais procedimentos, que ainda se caracterizam como desafios tecnológicos, não apresentariam alguma interrogação de cunho ético. E aqui é preciso reconhecer que a já tão debatida questão do respeito aos embriões continuará se fazendo presente, uma vez que, ao que tudo indica, células adultas sozinhas não seriam suficientes para desenvolver um órgão humano. Ou seja, ainda que elas possam se constituir a base, necessitariam de um elemento propulsor que só existiria nas células embrionárias. Há, até mesmo, experiências que tentam conjugar genes humanos e genes animais. As denominadas células reprogramadas aparecem novamente como caminho possível. No entanto, fica clara a tentação, já verificada em outras experiências em seres humanos, de escolher o caminho mais curto, ainda que ilusório, além de levantar os já conhecidos problemas éticos. De qualquer forma, a perspectiva da produção de órgãos, juntamente com a perspectiva de medicamentos cada vez personalizados, apresenta-se como alvissareira.
 
 

Publicações

O pecado: Do descrédito ao aprofundamento
O pecado é uma realidade que sempre marcou a história das religiões, particularmente a do judeu-cristianismo, e da humanidade. Por se tratarem, as religiões, de formas distintas de se chegar à sa...
Biotecnologia e bioética – Para onde vamos?
O início de um novo século e novo milênio, repleto de novas tecnologias e tendências, pode ser representado, se avaliada a questão dos avanços e das transformações de cunho científico, econô...