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Amy: Mais uma flor que murchou prematuramente

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A cobertura dada à morte de Amy Winehouse quase pode ser comparada àquela dada por ocasião da morte da Princesa Diana e também de outros vultos que marcaram o imaginário popular. Com uma personalidade tão complexa que ultrapassa qualquer tentativa de compreensão, como muitos observaram, teve uma “morte anunciada”. Só que, ao contrário de outras mortes anunciadas de pessoas eliminadas por mãos criminosas, ao que tudo indica ela deu fim à sua vida de maneira progressiva e sistemática.
Mas esta característica não chega a ter traços de originalidade, pois imediatamente após a morte da cantora os noticiários se encarregaram de relembrar uma dezena de outros ícones de um estranho estilo de vida que a precederam, mais ou menos na mesma idade e mais ou menos no final de uma trajetória predefinida. Como também não chega a ser original o fato de poucas horas após o anúncio da morte trágica, último capítulo de uma vida também trágica, seus CDs haverem batido recordes de venda.
Diante disso já é hora de se perguntar sobre o porquê de tanta comoção e de tanta exaltação. De alguma forma a comoção é compreensível, pois faz parte dos contornos de qualquer tragédia. O que fica mais difícil é compreender a exaltação de uma figura que viveu tão estranhamente quanto morreu. Amy não apenas ocupou grandes espaços na mídia, como também os comentários colhidos normalmente assumiam contornos de uma espécie de beatificação laica. Beatificação não apenas de uma pessoa, mas principalmente de um estilo de vida.
Com certeza, a conjugação de comoção e exaltação já repercute intensamente na mente de um grande número de pessoas que não só trilham caminhos parecidos, como também sonham ter um fim similar. Entre os inúmeros comentários, um chamou a atenção: lá no fundo Amy, como seus companheiros de “carreira” trágica alimentam o sonho de morrem jovens para permanecerem eternamente jovens.
Claro que a vida e a morte de Amy vieram a calhar com as polêmicas no que se refere à liberação das drogas. Veio a calhar sobretudo com os “valores” semeados nos mais diversos veículos de comunicação e, não poucas vezes, por meio da voz “abalizada” de personalidades que um dia foram referência de outros “valores”. Mesmo fugindo a um moralismo fácil, não se pode, fazendo uso do bom-senso, perguntar se a trágica morte de tantos jovens não é um grito desesperado de quem não encontra razões para continuar vivendo numa sociedade que só coloca diante deles o vazio existencial.
Num mundo cada vez mais contraditório, no qual a força das religiões se choca com a força de um apregoado liberalismo total, tais fatos deveriam ser oportunidade para levantar questões de fundo, para entender algo das razões que movem um número crescente de pessoas que já não desejam viver, mas morrer. Para além das inúmeras contradições sociais, com certeza temos mais probabilidades de entender algo da complexidade da vida se centramos nossas buscas no mundo dos valores. Nesse sentido, de acordo com os valores, ou contravalores, que são cultivados, a vida vai se revelar como marcada de sentido ou como vazio existencial, já descrito por Jean-Paul Sartre em suas obras, sobretudo no livro que leva o significativo título A náusea.
Desta forma, podemos concluir que a vida e a morte de Amy, a “Severina” que conquistou status de celebridade que foge à compreensão racional, não foi inútil em meio a tantas outras vidas e mortes inúteis. Sua vida e sua morte se constituem grito lancinante de que por estes decantados caminhos não vale a pena viver e muito menos morrer.
 

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