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A tragédia de Realengo: Um monstro ou expressão de monstruosidades cotidianas?

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É unanimidade: o dia 7 de abril de 2011 será recordado como mancha de sangue para a qual se voltam olhares pasmos e indignados. Welington passou a ser a expressão da loucura e da maldade sem limites. Doze crianças e seus familiares passaram a ser vistos como expressão de sofrimento também sem limites.
Não vem ao caso analisar aqui os impulsos secretos que empurraram Wellington para o crime. Muitas são as abordagens possíveis, e todas elas apresentam alguma consistência. O que mais importa é colocar os personagens dentro de um quadro maior, para que assim emerjam aspectos pouco abordados pela mídia.
O quadro maior é naturalmente o da sociedade. Que os fatos e imagens foram e continuam sendo chocantes, não há dúvidas. Entretanto, questiona-se sobre o sensacionalismo que acompanha as abordagens midiáticas e a colocação de apenas alguns personagens em cena. Tudo transcorre como se, ao retirar tais personagens da história, desapareceriam as cenas de violência e este mundo se transformaria num quase paraíso.
Claro que cabe à mídia notificar e analisar fatos. No entanto, não podemos nos esquecer que há muitas maneiras diferentes de fazê-lo. Para ser mais claro, como são noticiados fatos semelhantes em outras culturas, sobretudo no contexto anglo-saxão? Lá, tudo é feito com muita objetividade e sem explorar em demasia sentimentos populares. Isto porque a experiência mostra que a maneira sensacionalista pode despertar outros monstros adormecidos. Basta pensar nas notícias referentes às mães que abandonam suas crianças, matam-nas da maneira mais cruel possível. Não poucas vezes as cenas passam a se repetir com outros personagens.
O quadro maior, por sua vez, evita que sejam simplificadas as análises e as buscas de soluções. A problemática analisada sob o prisma social aponta não para um único assassino e doze crianças violentamente eliminadas, mas para milhares de assassinos e milhões de crianças que morrem prematuramente por uma infinidade de razões. Concretamente, basta pensar nas multidões sem as mínimas condições de vida, que mais vegetam do que vivem. E isso sem pensar nos sempre novos conflitos que matam crianças e adultos, os quais sequer têm seus nomes registrados.
A conclusão que se impõe é esta: indo a fundo na problemática, poder-se-ia até ver nessa tragédia uma mensagem de Deus: acordem para a necessidade de criar novas estruturas sociais e sobretudo para que sejam resgatados valores básicos para a vida em sociedade. Os valores éticos, teoricamente defendidos por todos, na realidade são ultrajados das mais diversas formas. Os mesmos canais de TV que lançam pedras sobre Wellington e cobrem de flores os corpos das crianças assassinadas talvez inconscientemente criam condições que não favorecem a vida, mas abrem caminho para a morte em suas diversas manifestações. Tudo isso dá o que pensar...
 

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